quinta-feira, 16 de junho de 2011

A espera... o telefone que não toca!


Esperar um telefonema é uma das maiores torturas psicológicas da existência. Não qualquer telefonema. É a ligação dele, que angustia, provoca tremores e borboletas no estomago!

Ele pede o número. Por querer evitar a espera, você finge que não ouviu, puxa um assunto e outro. Na despedida ele insiste e nem é preciso insistir tanto, porque afinal era isso que se esperava! No fundo é o que mais queremos... que haja um novo encontro! Pra não depender apenas das leis do destino, a ligação depois do primeiro beijo é a ponte para o segundo.

No dia seguinte nada, No outro também não! No terceiro dia quando as reservas de esperanças estão se esvaindo e você está pronta para cair na balada com os amigos, o telefone finalmente toca, após horas de um silêncio ensurdecedor.

O número é desconhecido e imediatamente surge a certeza: É ele! Não, a voz é de homem, mas é o seu melhor amigo, com aquela mania ridícula de ligar privado, que quer saber se está tudo bem... “A gente vai ou não vai à festa, vou comprar meu convite hoje. Compro o seu?”... “Não sei, se eu decidir compro na hora”... “Porque você está enrolando heim, vou comprar depois você me paga!”... “Não eu já disse que não sei se vou...”. “O que foi? Aconteceu alguma coisa?”

Acontecer não aconteceu nada, mas ainda pode acontecer. Olha ela aí, a famosa ‘última que morre’, a esperança... mas com esse papo furado, mesmo que o telefone tocar em segunda chamada eu não vou ouvir! - “Tá bom, eu te ligo!”... “Claro... se resolver eu te dou um toque mais tarde!”

Finalmente, ele liga. Você atende ao primeiro toque porque não morreu de ansiedade! Mas o início da conversa, se não desmaiar de felicidade, terá que enfrentar os eternos minutos de hesitações e reservas:
- “Oi, tudo bem?”
- “Tudo bom e com você?”
- “Bem também”
- “E aí o que você conta?”...

Esperou tanto por essa conversa e agora não sabe o que dizer e é melhor mesmo não dizer nada, porque o máximo que conseguirá é não falar é coisa com coisa. Um concorda com o outro, repetem-se os diálogos num misto de confusão, excitação e felicidade: “É ele!”:
- “Nada demais, e você, alguma novidade?”
- “Tudo na mesma também...”

Ai você toma coragem e declara:
- “Que bom que você ligou”
E ele embala:
- “Estou com saudade!”
Você se belisca por não ter certeza que ouviu direito... Silencio, depois de pensar: “que fofo!”, emenda:
- “Eu também!”
Longos segundos de silêncio... e ele retoma:
- “Nossa, estou tão cansado esta semana!”
- “Ah eu também!”, mas logo pensa: não vamos nos ver?

Após a conversa vazia, um intercâmbio de palpitações e vontades de falar o que realmente se sente e falta coragem.
Com um sorriso leve você responde a tão aguardada pergunta:
- “Vamos!”... “Que horas?”... “Ah, está ótimo!”

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