“Uma única bomba, num único instante causará tamanho desastre”. Corpos mutilados, gritos de socorro, uma cidade destruída em questão de segundos, cenas impossíveis de se descrever. Dor... desespero... tristeza. Motivo: uma bomba atômica lançada sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki em 6 de agosto de 1945.
John Hersey foi um escritor americano e jornalista que cobriu a guerra da Europa (Sicily) e da Asia (Batalha de Guadalcanal) escrevendo artigos para Time, Life, e The New Yorker. Ficou mundialmente conhecido por relatar a dor de seis sobreviventes de um atentado que ficou registrado não só para as vítimas da cidade, como para muitos que tiveram compaixão de um povo que permaneceu exposto à radiação de um experimento americano.
Um ano após o lançamento que devastou a cidade japonesa, John se empenhou em mostrar ao mundo a realidade da dor de uma guerra. Depois de 40 anos, detalhes que ficaram para trás ganharam espaço e se transformaram no livro “Hiroshima”.
Com uma narração rica em detalhes, o autor aponta a angústia de personagens que sobreviveram a uma catástrofe que parecia não ter fim. Um jornalismo diferente, que não se baseia num lead comum, mas sim, que mergulha no sofrimento de cada habitante daquela cidade.
Uma história carregada de expressões que nos fazem sentir na pele a tristeza de um povo sem lugar para se alojar. Um local contaminado não só pela radiação que deformaria pessoas por mais de décadas, mas também que acabaria com o sonho de muitos patriotas.
Em meio a tanta destruição, os sobreviventes tiraram forças e ergueram das cinzas uma cidade mais forte, mais destemida e com uma ânsia de provar aos seus destruidores a força de vontade de indivíduos que lutaram pela sua sobrevivência, que sofreram as consequências com os efeitos trágicos da guerra, mas que nem por isso desistiram da vida.
Ao narrar cada frase, Hersey exprime sensações que nos levam a viver durante a leitura o sufoco daqueles dias. Permite que tenhamos uma visão da amplitude daquele momento, de pessoas se desfazendo aos poucos, de crianças chorando, de adultos implorando por ajuda, de pessoas queimando vivas sem terem para onde correr.

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