Quando esquecer se torna uma necessidade. O coração acelerou e a respiração se fez áspera. Os olhos se encheram de lágrimas. As palavras foram embora e em seu lugar se instalou um silêncio ensurdecedor. O único porto-seguro é a cama, mas é só encostar a cabeça no travesseiro que o sono levanta! A vontade é de fugir, mas ir pra onde? O segredo é descobrir um lugar, um único lugar onde você não entre nos meus pensamentos!
Nada diminuiu a intensidade dessa ventania que passou por aqui e bagunçou a rotina. A realidade é triste e dói, dói muito, mas varrê-la para debaixo do tapete não resolve o problema, só agrava já que mesmo não estando a olhos vistos, causa a mesma alergia.
O piloto automático está ligado. É preciso continuar, nenhum médico forneceria um atestado de ‘coração dilacerado’. Pinto a cara de maquiagem pra esconder as olheiras, buzino para o cara que me fecha no trânsito, dou ‘bom dia’ pra pessoas, visto um sorriso no rosto e tento manter a tranquilidade para acalmar o coração, que quer gritar suas angustias. É preciso paciência pra esperar que o tempo cure as feridas e leve as dores.
Fica as lembranças, as mensagens, as declarações, as fotos, o carinho. Todo o resto já não existe mais. Remoer o porquê só traz mais sofrimento. Não há culpados, nem vítima e algoz. Existem sim escolhas, e cada um é responsável pelas suas.
A esperança, os sonhos e expectativas foram embora com o seu adeus! O dia está lindo, azul céu de brigadeiro, mas aqui dentro só chove, lágrimas... Como digo sempre: 'a página precisa ser rasgada, virar a folha não, porque se corre o risco de lá na frente voltar pra ler a mesma história'.
"Dói tanto que não dói mais. Como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria", externou perfeitamente o escritor Caio Fernando de Abreu.

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