Lançado em 2006 e escrito pela jornalista norueguesa Åsne Seierstad, “O Livreiro de Cabul”, estreou como os livros mais vendidos da época e conta histórias reais dos três meses que a correspondente permaneceu no Afeganistão.
Como o próprio nome diz a narrativa se passa sob a vida de um livreiro, Sultan Khan, que a jornalista conheceu enquanto cobria o combate local. O personagem, apaixonado por livros, sofreu grandes represálias quanto a esse costume e forma de trabalho. Foi preso e torturado durante a guerra e permaneceu firme ao ter sua livraria totalmente destruída.
Apesar de tudo e em comparação aos outros habitantes, a família tinha uma vida estável e, aparentemente, boa. Moravam em uma casa de quatro cômodos com duas mulheres, cincos filhos e alguns parentes. Relatos sobre as infâncias, casamentos e a vida depois da queda do Talibã são descritos com ricas observações no livro reportagem.
Casos como o do filho do protagonista, que não tinha tempo de estudar, pois era obrigado a trabalhar 12 horas por dia, atualmente ainda nos choca por mostrar uma realidade, que às vezes pensamos não mais existir.
Outro fato interessante e que não dá para passar despercebido, é a poligamia. Hoje, no Brasil e em diversos outros lugares, temos consciência de que esse tipo de matrimônio é totalmente desprezível, mas olhando pela cultura dos afegãos; é uma coisa ‘normal’. A autora também relata o caso em que o livreiro trocou sua primeira esposa, para se casar com uma menina de apenas 16 anos.
Ainda podemos encontrar na obra um conjunto de personagens que refletem a vida e as contradições daquele país. A rotina, orações, pobrezas e as limitações das quais as mulheres são submetidas são alguns dos detalhes descritos em “O Livreiro de Cabul”.

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