Nos últimos tempos, sinto como se minha vida fosse uma viagem de avião, o problema é que não há pouso seguro. Estou a caminho de um lugar que eu não sei exatamente qual é e nem ao menos tem previsão de chegada...literalmente tenho a sensação de que minha cidade de destino não é onde moro.“Temos duas saídas de emergência na parte dianteira, duas na parte traseira e uma à sua direita” - preciso seguir essa instrução de voo na vida real! Toda vez que tenho a oportunidade de espairecer...Minhas saídas de emergência são usadas em todos os feriados prolongados ou finais de semana programados para viajar.
“Por medidas de segurança permaneçam com o cinto atado durante todo o voo, conforme demonstração: unam as pontas e ajustem-no ao corpo, para abri-lo puxem a parte superior” - cada vez estou mais cética em relação às pessoas e inúmeras situações. Meu cinto que há muito estava esquecido, se tornou meu fiel companheiro, é ele quem me protege em casos de turbulência. Hoje já não saio mais ‘quebrada’ das relações, e não estou me referindo apenas às amorosas, no máximo, fico com algumas escoriações, que com o tempo aprendi a tratá-las, e agora, cicatrizam rapidamente.
“Esta aeronave possui luzes indicativas de emergência ao longo do corredor, no teto e nas saídas” - aquela leve brilho está cada dia mais forte, e ele sinaliza para algumas mudanças que eu preciso aderir se eu realmente quero encontrar o tão sonhado destino desta viagem!
A partir do momento da aterrissagem em terras rio-pretense inicio as tão temidas explicações dos comissários de bordo: “em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão automaticamente...” - visto minhas máscaras para conseguir encarar a rotina do dia a dia...e isso é possível de uma maneira, posso dizer até que suportável e em alguns momentos agradáveis, porque nessa fase de viagem-sem-previsão-de-pouso é o colinho dos meus pais e a amizade de pessoas especiais.
"Bem vindo a São José do Rio Preto / Welcome to São José do Rio Preto" - soa como uma frase irônica aos meus ouvidos, é o fim de mais uma viagem, é o recomeço da contagem regressiva para a próxima vez que estarei de malas prontas...
Um amigo me disse que esse ‘não gostar de Rio Preto’ é fuga de algo que está em mim! Será? Talvez...Se é fuga ou não, eu não sei definir. Mas, se realmente, for fuga eu não me importo de fugir....
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