Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Esse dilema ilustra bem o porquê optei por trilhar a minha vida profissional nos meios de comunicação. Talvez a ligação esteja na experiência em ter atuado durante um ano como repórter estagiária em um jornal em São José do Rio Preto (SP). Será que meu ensejo em ser repórter pode ser atribuído a essa experiência? Ou a reportagem está em mim desde o dia em que vim ao mundo e essa passagem pelo jornalismo impresso foi apenas a constatação de que a minha vida profissional não poderia ser outra senão o jornalismo.Durante esse período pude observar que jornalismo não é uma profissão burocrática em que você tem hora certa para entrar e sair. Você está nele 24 horas por dia. Porque mesmo nos horários de folga, a aguçada percepção do jornalista nota que mesmo coisas do cotidiano que passariam em branco por qualquer outro profissional, pode e muitas vezes se torna o início de um belo trabalho que trará grandes resultados.
O primeiro atributo de um autêntico jornalista é a curiosidade comunicativa, que difere da curiosidade pura e simples, porque se reveste de insopitável desejo de passar adiante a informação obtida ou o fato testemunhado, juntando-lhe fatos novos e comentários. Diante de uma ocorrência, o homem comum para, informa-se e segue o seu caminho, indiferente se tal fato não lhe diz respeito imediato; o intelectual e o cientista igualmente param, informam-se e prosseguem, retirando dela algumas inferências particulares, ligadas à sua ordem cultural; o jornalista age diferente. A sua parada é mais longa e mais intensa; a informação que colhe é mais completa e tem aplicação imediata e ele lhe dá forma, julga-a, pesa-a, não em função dos seus próprios interesses, mas da sociedade, pois se sente receptor e transmissor.
Nada lhe passa em brancas nuvens, ‘tudo é pauta’. Isso porque se não é, o jornalista criativo e compromissado com o seu dever de informar, a transforma. Ao contrário de outros profissionais que podem repousar após o cumprimento de uma etapa de trabalho – o advogado em seguida a uma causa julgada; o engenheiro após a conclusão de um projeto – o jornalista está sempre em função desde que os fatos se sucedem numa aglutinação dinâmica, que provoca sempre no observador uma reação que culmina na criação de uma notícia.
A fecundidade jornalística, o ato de fazer um ‘parto de uma matéria’ extraindo a substância do fato e apresentando-a ao público sob a forma de notícia, se revela outra manifestação de sua atividade que me envolve. Por isso, o jornalista deve adquirir conhecimento, em todo o campo da atividade humana, em qualquer lugar que ela se dê. Mas, principalmente para se fazer um jornalismo voltado para atender aos anseios da sociedade, o jornalista tem que estar antenado com o que está a sua volta. O que ela necessita? Quais são os seus problemas? O que está sendo feito para resolvê-los? Quais são as atividades que participam? Quais as atividades que desenvolvem? O que os órgãos públicos têm feito? Quais foram os resultados alcançados? Quais as dificuldades encontradas? As alternativas possíveis para enfrentá-los e o que está sendo feito?
O profissional que executa um trabalho criador, inovador, poliformo e complexo, jamais admitirá o que mostra as aparências, ele vai a fundo, investiga, desvenda os mistérios que existem em toda simplificação que alguém queira lhe ´vender´ como certeza. A investigação jornalística é outro ponto que não pode ser deixado de lado para aqueles que atuam na comunicação social.
A imprensa, mesmo que metamorfoseada em uma estranha abstração chamada mídia, concentra um poder enorme, classificado por intelectuais e pela própria população como o 4º Poder. E esse poder é o que me fascina. Qual é a sua essência? Qual a sua importância na vida da sociedade? A relação entre o cidadão e a imprensa, que se não permitiram ainda um avanço para transformar a imprensa em um agente dos interesses públicos, indicam caminhos e possibilidades neste rumo. E eu quero estar nessa trilha em direção a um mundo melhor para se viver...
Nenhum comentário:
Postar um comentário
E ai, gostou do que leu? Então, conte pra nós!